A perseverança na cultura japonesa

A perseverança é um dos valores mais presentes no Japão. Trata-se de um valor fortemente enraizado na sociedade japonesa e transmitido de geração em geração. A vida não é apenas sobre sonhar e começar projetos novos e diferentes, é também sobre ser perseverante e insistir em transformar em realidade o que você está determinado a alcançar.

Considerada um dos principais fundamentos do Bushido, a perseverança presente no povo japonês provavelmente seja uma das razões pela qual o Japão conseguiu se tornar a segunda economia do mundo depois de ter sido derrotado durante a Segunda Guerra Mundial.

Com certeza você já deve ter lido um mangá ou assistido um anime onde o personagem principal é uma criança com pouco talento e muitos defeitos, mas tem um objetivo a cumprir. A perseverança do personagem principal fará com que ele aprenda com seus erros, tornando-o mais sábio e melhor naquilo que faz até se transformar em algum tipo de herói.

Agora, compare isso com o herói típico de um seriado de TV americano que já é um herói com incríveis superpoderes inatos desde o começo; mesmo que eles também perseverem de um jeito diferente dos japoneses em conseguir o que querem, eles são muito ambiciosos.

Outra característica típica dos heróis japoneses em filmes e mangás é que seus objetivos são fáceis, simples e puros; eles geralmente não têm grandes ambições. Há muitos mangás nos quais o personagem principal quer ser um grande chef de sushi, quer ser o melhor âncora de TV em sua província, quer ser um bom vendedor de imóveis ou um mangaká famoso.

Há até um programa de TV sobre a vida das recepcionistas do Shinkansen e como elas lutam para atender melhor e melhor os clientes. Os objetivos são simples, nos quais os espectadores japoneses podem se identificar facilmente. No entanto, a insistência deles em alcançar esses objetivos “simples” lhes permitirá realizar realizações muito maiores.

Pense por exemplo nos personagens principais de Dragon Ball ou Naruto, ambos têm um coração puro e inocente e, no início, definitivamente não são os melhores no que fazem (luta), mas graças a sua perseverança eles acabarão realizando grandes feitos.

Outro valor relacionado muito cultivado pelos japoneses é a paciência. Há um provérbio japonêsque diz: “se você quiser aquecer uma pedra sente sobre ela por três anos”. O povo japonês é extremamente paciente, mas não apenas no sentido de esperar e não fazer nada, mas no sentido de ser insistente e ser paciente até conseguir o propósito desejado.

O valor da perseverança também está bem presente no idioma japonês e em muitas expressões que são usadas diariamente. Uma das primeiras palavras que aprendemos em japonês é “ganbarimasu”, que geralmente é traduzida como “faça o seu melhor”.

No entanto, se dermos uma olhada cuidadosa nos caracteres kanji que compõem a palavra “ganbarimasu”, temos 頑 que significa (teimoso, resistente) e 張 que significa (esticar, estender). Em outras palavras, o “significado” que uma pessoa japonesa sente quando diz “ganbarimasu” seria algo como “Estenda sua teimosia ao máximo”.

A palavra “ganbarimasu” e também a variação “ganbatte kudasai”, que significa “Faça o melhor que puder” (tradução comum) / “ Seja teimoso e firme até conseguir o que quer” (minha tradução) é muito usada para animar as pessoas no trabalho, esportes, estudos, etc.

A perseverança pode ser uma coisa “boa”, mas também pode ser algo “inconveniente” se você a levar ao extremo. Frequentemente os japoneses não sabem como medir sua perseverança e acabam sendo muito teimosos, até mesmo para coisas pequenas. Por exemplo, no mundo dos negócios, as empresas japonesas são conhecidas por serem muito “teimosas”.

Como dissemos anteriormente, nos mangás e animes japoneses, os heróis têm objetivos simples os quais perseguem com perseverança. Em contrapartida, os heróis dos quadrinhos americanos costumam nascer com super poderes, além de objetivos grandes e ambiciosos.

Os Estados Unidos e suas empresas dominam o mundo graças devido a muitos fatores, mas talvez um dos mais importantes seja a ambição do seu povo; por outro lado, no Japão, a ambição não é importante (na verdade, é desaprovada) e o que os levou ao estrelato mundial foi sua perseverança. Perseverança ou ambição? O que é mais importante?

Talvez a diferença esteja em como a “falha” é vista no Japão. No mundo ocidental, as pessoas até se gabam de seus “fracassos”, apontando os erros cometidos e o que aprendeu para melhorar no futuro. No Japão, o “fracasso” é geralmente compartilhado entre os membros de uma família ou equipe, de modo que a pressão não recai sobre apenas uma pessoa.

Por outro lado, na cultura ocidental é comum as pessoas apontarem seus erros e o culparem por isso! Por estas razões muitas pessoas tem receio de assumir seus erros.

No Japão existe a cultura de que “o importante não é quantas vezes você cai, mas quantas vezes você se levanta”. Talvez seja uma das lições mais importantes que aprendi neste país. Eu escrevo “falha” entre aspas porque não gosto da palavra, não acredito em fracasso.

Na história temos muitos exemplos em que a ambição sem limites não trouxeram coisas boas. Por outro lado, a perseverança exagerada do povo japonês fez com que parecessem muito teimosos e muito difíceis de lidar no mundo dos negócios e outras situações.

Nenhum extremo deve ser considerado bom, portanto combinar um pouco da ambição ocidental com um pouco da perseverança japonesa talvez seria a mistura perfeita. Oque você acha a respeito desse assunto? Compartilhe conosco nos comentários abaixo! 🙂

Fonte: Japão em Foco
Fonte: ageekinjapan.com

Limite de velocidade aumentará para 120 km/h em trechos de duas rodovias no Japão

A medida valerá para trechos da rodovia Shin Tomei, em Shizuoka, e da rodovia Tohoku, em Iwate

Crédito: Masamichi Maeda/Alternativa

Tóquio – A Agência Nacional de Polícia do Japão divulgou nesta quarta-feira (30) que aumentará o limite de velocidade para 120 km/h em trechos de duas rodovias expressas a partir de 1º de março, em forma de teste, informou o jornal Yomiuri.
A medida valerá para os trechos de 50,5 quilômetros na rodovia expressa Shin Tomei, entre Shin Shizuoka e Mori Kakegawa, na província de Shizuoka, e de 27 quilômetros na rodovia Tohoku, entre Hanamaki Minami e Morioka Minami, na província de Iwate.
Os caminhões e outros veículos de grande porte continuarão com o limite de 80 km/h.
Nesses dois trechos, a Agência Nacional de Polícia realizou um teste a partir de 2017 aumentando o limite de velocidade para 110 km/h e agora concluiu que há segurança suficiente para elevar para 120 km/h.
Durante o teste de 110 km/h, houve uma redução no número de acidentes, de 18 para 10 (excluindo as colisões causadas por congestionamentos) e não foi registrada nenhuma morte.
Em uma enquete, 60% dos 1.600 motoristas consultados opinaram ser a favor do aumento do limite para 120 km/h nesses dois trechos.
Se o teste resultar em poucos acidentes, é possível que a Agência Nacional de Polícia aumente o limite de velocidade em trechos de outras rodovias consideradas seguras e com boa infraestrutura.
Foto: iStockphoto
Fonte: Alternativa Online

5 ilustrações que ensinam turistas a evitar ‘gafes’ no Japão

Fique por dentro de alguns dos costumes no Japão e evite constrangimentos durante uma viagem ao Japão.

O Japão é um país possuidor de uma cultura milenar, onde são mantidas antigas tradições como, por exemplo, festivais seculares, educação rígida e perfeccionista, conservação de templos e de santuários com centenas e até mais de mil anos, incríveis castelos que remontam aos tempos dos samurais, entre outros bens culturais materiais que contrasta, com uma avançada tecnologia.

Mediante tanta riqueza cultural, os japoneses cultivam antigas tradições e costumes em seu dia a dia. Eles são pessoas bem educadas e gostam de ser tratados com respeito. Por isso, é importante pesquisar bem os costumes locais antes de resolver colocar os pés na Terra do Sol Nascente.

Pensando nisso, a ilustradora americana Libby VanderPloeg publicou uma série intitulada “Etiqueta japonesa para viajantes“. As cinco ilustrações te colocarão por dentro de algumas regras básicas dos costumes no Japão, o que ajudará a evitar constrangimentos quando visitar o país.

Veja abaixo as explicações de cada uma das cinco ilustrações e, no final, as ilustrações:

1 USANDO QUIMONO

Ilustração mostra modo certo e errado de usar quimono | Foto: Libby VanderPloeg

Se durante a viagem você ficar em um hotel tradicional japonês, é provável que receba algum tipo de quimono, como o tradicional yukata. Portanto, ao usá-lo, tenha certeza que o lado esquerdo está em cima do lado direito – do lado contrário apenas os mortos utilizam.

2 USANDO HASHI

Ilustração mostra modo certo e errado de usar o hashi | Foto: Libby VanderPloeg

Gesticular com o hashi (pauzinho duplo usado como talher pelos asiáticos) na mão ou espetá-lo no arroz são gafes imperdoáveis para os japoneses. O ato, além de ser feio, tem um sentido religioso. A tradição japonesa é oferecer alimentos aos antepassados durante o Festival Obom (equivalente ao dia de finados). O costume é espetar hashis nos alimentos destinados aos espíritos dos antepassados que retornam aos seus lares no período de festejos do Obom. Além disso, os japoneses rezam e acendem incensos nos oratórios (butsudan), eles espetam os incensos na vertical.

Outro ato considerado extremamente grosseiro é passar comida a partir de um hashi para o hashi de outra pessoa.  Isso porque após a cremação em um funeral japonês, os parentes costumam utilizar os hashis para passar os ossos do falecido uns para os outros.

3 MOLHANDO SUSHI NO SHOYU

Ilustração mostra modo certo e errado de molhar o sushi no shoyu | Foto: Libby VanderPloeg

Para evitar desfazer o sushi, vire-o de cabeça pra baixo e molhe a parte do peixe no shoyu (molho de soja). Mas isso deve ser feito rapidamente, pois encharcar a comida de shoyu pode ofender o chef. Vale lembrar que esta regra se estende à restaurantes japoneses existentes em toda a parte do planeta.

4 ENTRANDO EM UMA RESIDÊNCIA

Ilustração mostra modo certo e errado de entrar em uma casa | Foto: Libby VanderPloeg

Quando entrar em alguma residência, o costume é tirar os sapatos no primeiro ambiente, uma espécie de antessala, onde geralmente há um sapateiro típico para depositar os calçados. Portanto, não é correto tirar os sapatos na porta da casa, conforme está descrito na ilustração. O costume japonês de tirar os sapatos pode estender-se a estabelecimentos, bem como em algumas repartições e escritórios, portanto, preste sempre atenção no ambiente antes de entrar.

5 TROCANDO CARTÃO DE VISITAS

Ilustração mostra modo certo e errado de trocar cartão de visitas | Foto: Libby VanderPloeg

No Japão, o cartão de visitas é uma extensão de você mesmo, tanto para oferecer quanto para receber. O correto é usar as duas mãos e olhar nos olhos da outra pessoa quando trocar cartões. Além disso, tem que ler o cartão antes de guardá-lo.

As cinco ilustrações são fundamentais durante uma viagem ao Japão, no entanto, há muitas outras regras que deve ser respeitadas como, por exemplo, deixar sempre o lado esquerdo da escada rolante livre, já que lá eles dirigem do lado direito. Além disso, fumar na rua, cutucar pessoas durante uma conversa e dar gorjeta são apenas alguns dos comportamentos que turistas devem evitar ao máximo para não desrespeitar as tradições japonesas.

 

Matéria produzida por: Mundo Nipo

 

Rio de Janeiro ganha museu da imigração japonesa

Texto e fotos de Teruko Okagawa Monteiro/RJ

O Museu Histórico da Imigração Japonesa – Rio de Janeiro foi inaugurado em 15 de dezembro de 2018 na Associação Nikkei do Rio de Janeiro, Rua Cosme Velho, 1166, integrando os eventos comemorativos dos 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil-Rio de Janeiro. Minoru Matsura, presidente da Comissão Organizadora dos 110 anos, e Takashi Mori, presidente da Renmei – Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro, fizeram suas saudações. Akiyoshi Shikada – falecido e admirado presidente da Renmei, que sempre sonhara pela existência do museu – foi lembrado com carinho, emocionando a esposa Sanae Shikada, filha Lenise e neta Amanda Mayumi.

Takashi Mori conclamou 3 brindes, respondidos calorosamente por personalidades e representantes de cidades fluminenses. Minoru Matsuura desatou a fita inaugural junto ao cônsul-geral adjunto no Rio de Janeiro, Ken Kondo.

O Imin Shiryoukan enaltece o trabalho fecundo dos imigrantes, que batalharam no Estado do Rio de Janeiro. A designer Mary Paz, da empresa Vertente, encontrou solução plástica para sínteses históricas, utensílios, fotos pesquisados pela Comissão dos 110 Imin/Rio: o museu, condensado e ilustrativo, encanta pela beleza e conteúdo. Registros comprovam que o estado do Rio de Janeiro recebeu pioneiros anteriores aos imigrantes do navio Kasato Maru e, de forma atípica, que o diferencia de outros locais de imigração do Brasil.

O museu virtual, em desenvolvimento, já tem páginas que podem ser apreciadas em mhijrio.com.br. O internauta poderá acessar materiais exclusivos, que estão localizados em outras cidades do estado do Rio de Janeiro, e assim enriquecer a cultura e os conhecimentos de suas origens. Pede-se, a quem queira acrescentar peças e conhecimentos ao museu, entrar em contato através do site.


Cônsul Ken Kondo e Minoru Matsuura desatam a fita inaugural

Takashi Mori, presidente da Renmei, conclama brindes

Fruto de pesquisas

O Japão no Rio de Janeiro

Cidades com associações nikkeis

Takashi Mori, Mary Paz Guillén, Minoru Matsuura e Sanae Shikada

Sakurass e azulejos antigos
no prédio de 1937

Ferramentas utilizadas

Confraternização
 Fonte: Nippo

Número de trabalhadores brasileiros no Japão sobe 8,6% e chega a 127 mil

De uma forma geral, o número de trabalhadores estrangeiros atingiu um novo recorde de 1.460.463

Crédito: Masamichi Maeda/Alternativa – 25/01/2019
Tóquio – O número de trabalhadores brasileiros no Japão subiu 8,6% em um ano, para 127.392, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta sexta-feira (25), com base nos registros de outubro do ano passado.
De uma forma geral, o número de trabalhadores estrangeiros atingiu um novo recorde de 1.460.463, aumento de 14,2%, em meio ao envelhecimento da sociedade e ao emprego de estagiários e estudantes de outros países para compensar a falta de mão de obra.
Esse número deve aumentar ainda mais a partir de abril, quando novos trabalhadores estrangeiros de oito países asiáticos terão permissão para entrar no Japão com um visto de cinco anos.
Por nacionalidade, os trabalhadores chineses constituem o maior grupo, com 389.117 pessoas, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior, seguido por vietnamitas, cujo número subiu 31.9%, para 316.840.
Os filipinos aparecem em terceiro lugar, com 164.006 trabalhadores e aumento 11,7%, seguidos pelos brasileiros em quarto.
Os residentes permanentes e os descendentes de japoneses aumentaram 8% em relação ao ano anterior, para 495.668, enquanto que os estudantes com licença de trabalho de meio período cresceram 15%, para 298.461, e os estagiários tiveram aumento de 19,7%, para 308.489.
As províncias com maior número de trabalhadores estrangeiros são Tóquio (438.775), Aichi (151.669) e Osaka (90.072).
Os dados do governo consideram apenas estrangeiros em emprego legalizado. Autônomos, comerciantes, estudantes, donas de casa e desempregados não fazem parte dos números.
Atrás de um mercado de trabalho crescente em meio à recuperação econômica do Japão, muitos estagiários e estudantes estrangeiros estão envolvidos em mão de obra não qualificada com baixos salários para preencher a falta de trabalhadores.
Foto: Reuters
Fonte: Alternativa Online

Mais idosos, mais estrangeiros; entenda como o Japão está mudando

Apesar da resistência à imigração, o envelhecimento populacional tem levado o Japão a dar passos históricos para permitir a entrada de estrangeiros.

Atualmente, hotéis, shopping centers e cafés tem, pelo menos, um imigrante entre os funcionários. A presença de mão de obra estrangeira no país pode ser vista, até mesmo, em negócios onde a tradição presa por profissionais nascidos no país. Um desses exemplos está em um pub-restaurante em Kanazawa, uma cidade de porte médio ao norte de Tóquio, onde um jovem caucasiano trabalha ajudando o chef a preparar o tradicional sushi. Em resumo: o Japão está se internacionalizando e esse processo vem acelerando.

A força motriz é a mudança demográfica. A população do Japão está envelhecendo rapidamente e encolhendo. Acrescente-se outros fatores, incluindo níveis nunca antes vistos de turismo estrangeiro, além de preparativos maciços para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, e o resultado é uma nação que precisa desesperadamente ainda mais de trabalhadores de outras nações para preencher vagas.

Essa iminente crise demográfica não pegou o país de surpresa, visto que esse é um problema que vem crescendo há décadas. Mas como sucessivos governos relutaram em tomar medidas importantes, o problema se tornou agora muito mais urgente.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, quer trazer mais trabalhadores estrangeiros com baixa qualificação e, consecutivamente, baixos salários. Mas sua proposta de trazer centenas de milhares de pessoas para preencher postos de trabalho até 2025 é altamente polêmica. Especialmente em um país que, tradicionalmente, é notório pela xenofobia e, assim, tem enraizado em sua cultura evitar a imigração.

Contudo, a crescente demanda por profissionais técnicos na área da saúde, especialmente em centros de tratamento para idosos, tem levado a um significativo aumento de funcionários estrangeiros nesse setor, mas o número é bem abaixo do pretendido pelo governo de Shinzo Abe.

Centro de cuidados médicos é o setor mais carente de mão de obra no Japão e onde mais tem crescido o número de trabalhadores estrangeiros | Foto: Nikkei

No início de dezembro, o Parlamento do Japão aceitou essa proposta em um movimento contencioso e sem precedentes. Na prática, os congressistas japoneses votaram a favor da entrada de um número nunca antes visto de trabalhadores imigrantes – 300 mil nos próximos cinco anos, a partir de abril.

A nova lei chega em uma época de mudanças históricas no Japão. E o impacto disso pode moldar o país por gerações.

Mais idosos, mais estrangeiros
Bhupal Shrestha é um professor universitário que vive em Suginami, em Tóquio, uma área residencial conhecida por suas vielas estreitas com lojas de roupas de segunda mão e antiquários. Ele mora no Japão há 15 anos, mas seu caminho para obter um visto de “residente permanente” esteve longe de ser tranquilo.

Shrestha experimentou “discriminação em coisas básicas, como buscar quartos para morar, abrir contas bancárias, solicitar cartões de crédito”. Ele também diz ser difícil para os próprios imigrantes falarem sobre a política do governo que os afeta.

“A sociedade japonesa está se abrindo para os imigrantes, mas eles ainda são conservadores em alguns lugares”, opina. “Acho que é devido à falta de oportunidades que eles têm para o intercâmbio cultural com essas pessoas vindas de fora.”

Nascido no Nepal, Shrestha é um dos 1,28 milhão de trabalhadores estrangeiros que vivem no Japão. É um número recorde, acima dos 480 mil em 2008. No entanto, os imigrantes respondem por apenas 1% da população do Japão, comparado a 5% no Reino Unido ou 17% nos EUA. Quase 30% dos trabalhadores estrangeiros do Japão vêm da China. O resto, do Vietnã, das Filipinas e do Brasil.

O número é baixo porque a imigração não é incentivada. Nação insular, o Japão já foi ferozmente isolacionista. Até meados do século 19, aqueles que entravam ou tentavam sair do país podiam ser punidos com a morte. Agora, no entanto, o Japão moderno se considera homogêneo, com uma forte identidade cultural.

Historicamente, as preocupações domésticas em relação à imigração estão ligadas a vários fatores: desde a percepção que os estrangeiros “tomariam empregos” dos nativos até a ruptura cultural, passando pelo medo sobre o aumento da violência do país, reconhecido mundialmente pela baixa taxa de criminalidade.

Mas o grande problema é o seguinte: o número de japoneses nativos está diminuindo.

A população diminuiu em quase um milhão de pessoas entre 2010 e 2015. No ano passado, caiu mais 227 mil. Em paralelo, o número de residentes com mais de 65 anos atingiu 27% da população total, um recorde. Segundo estimativas, esse contigente de idosos deverá subir ainda mais, para 40%, em 2050.

Em maio, a taxa de disponibilidade de empregos atingiu o maior nível em 44 anos: 160 para cada 100 trabalhadores. Em outras palavras: há muitos empregos disponíveis que os japoneses mais velhos não podem realizar e que os japoneses mais jovens não querem fazer.

Trabalhadores japoneses jovens | Foto: Stockvault

“A situação é muito terrível”, descreve Shihoko Goto, consultora sênior do Woodrow Wilson Center, centro de estudos com sede nos Estados Unidos. Ela lembra que, no passado, a imigração não era “vista como parte de uma solução mais ampla para algumas das questões que o Japão está enfrentando atualmente”.

Enquanto algumas empresas e políticos apoiam os planos de Abe, outros questionam como isso poderia mudar a sociedade e acultura japonesa.

À procura de trabalhadores
“Poucos japoneses têm experiência de trabalho e convivência com estrangeiros”, diz Masahito Nakai, um advogado de imigração em Tóquio.

Mas ele diz que as pessoas estão começando a entender que algo deve ser feito. “Os japoneses estão percebendo que o país não pode ficar sem a ajuda deles.”

A necessidade mais urgente está em setores como construção, agricultura e construção naval, por todo o país. A hotelaria e as indústrias de varejo também exigem cada vez mais o inglês e outras habilidades linguísticas, já que o turismo continua crescendo.

As áreas de enfermagem e de assistência domiciliar também seguem em alta, uma vez que são necessários mais trabalhadores para cuidar da crescente população de idosos. De acordo com um relatório de novembro, mais de 345 mil trabalhadores estrangeiros devem se mudar para o Japão para ocupar cargos em todos esses setores nos próximos cinco anos, se as propostas de Abe forem aprovadas.

Até hoje, o país contornou a questão da importação de trabalhadores estrangeiros usando um “programa de treinamento técnico interno temporário”.

Isso permite que jovens trabalhadores ou estudantes trabalhem em cargos de baixo salário por três a cinco anos antes de voltarem para casa.

Mas a iniciativa tem sido criticada por explorar trabalhadores em áreas que vão desde salários baixos a más condições de trabalho. No ano passado, a imprensa noticiou o caso de um vietnamita de 24 anos que, inscrito no programa, chegou a manusear lixo nuclear radioativo como parte da limpeza na cidade de Fukushima, atingida por desastre nuclear em março de 2011. O programa vem sendo criticado há anos. Muitos o consideram “servidão disfarçada”.

Agora, Abe quer permitir que trabalhadores de baixa qualificação permaneçam no país por cinco anos. Também pretende introduzir um visto renovável para os qualificados, que teriam permissão para trazer suas famílias. O objetivo do governo é que o novo esquema de vistos seja lançado em abril.

Saiba mais
» Japão abrirá 100 centros de apoio a trabalhadores estrangeiros
» Japão aprova lei que abre entrada a estrangeiros com baixa qualificação

Abe resiste a chamar esses trabalhadores de “imigrantes”, e seus críticos temem que seu plano possa fornecer um caminho mais fácil para a residência permanente.

Há também a preocupação de que os trabalhadores estrangeiros lotem as cidades e não vivam nas áreas rurais, onde são mais necessários. Enquanto isso, defensores dos direitos humanos temem que o Japão ainda não tenha aprendido como proteger adequadamente os trabalhadores estrangeiros da exploração.

As chamadas empreiteiras, empresas que terceirizam trabalhadores estrangeiros para empresas no Japão, principalmente em fábricas de alto-peças, são amplamente  acusadas de explorar os imigrantes recém-chegados ao país.

©Asahi Photos

Takatoshi Ito, professor de assuntos internacionais e públicos da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, diz acreditar que a sociedade japonesa “está acordando para a globalização”.

“Até agora, a maioria [dos trabalhadores estrangeiros] está ajudando o crescimento econômico, assumindo empregos que os japoneses não estão dispostos a aceitar.”

Mas Nakai, o advogado de imigração, afirma que garantir um visto é apenas o começo e que a assimilação da cultura japonesa pode ser difícil. Ele aponta lacunas na língua e no conhecimento cultural como principais desafios enfrentados pelos trabalhadores estrangeiros.

“Se os contribuintes concordarem, o governo deveria pelo menos oferecer cursos de japonês gratuitos ou baratos como um primeiro passo”, diz Nakai. Outros acham que não há muita divulgação em geral.

“Acho que a sociedade japonesa não é muito aberta a trocas. Moradores do mesmo apartamento [bloco], por exemplo, não se falam”, diz Bhupal Shrestha. “Se nem eles conversam, como é possível pensarmos numa sociedade verdadeiramente multicultural?”

Choque cultural
Chikako Usui, professora de sociologia da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, diz que uma variedade de fatores, desde a história isolacionista do Japão até a sua autopercepção de homogeneidade, serve de entrave aos imigrantes.

Ela destaca o conjunto de regras não faladas e de sutis sinais sociais que permeia a sociedade japonesa e que cansa até os nativos, contribuindo para o desconforto com os forasteiros.

Segundo Usui, muitos se questionam como os estrangeiros poderiam absorver tudo isso, desde a correta etiqueta sobre a reciclagem até o silêncio no transporte público ou mesmo antecipar o que os estranhos estão pensando.

A especialista destaca o conceito japonês de “kuuki wo yomu”, ou “leitura do ar”, que está por todo o lugar no Japão e envolve uma compreensão quase telepática das minúcias sociais não ditas da vida cotidiana: “O povo japonês realmente não acha que isso é possível para estrangeiros. De fato, [nem] eu consegui fazer isso [no Japão] “.

Goto, do Woodrow Wilson Center, diz que há um código restrito em relação ao que significa ser japonês. “Não é simplesmente sobre cidadania: é sobre raça, sobre idioma, sobre linguagem corporal. Todas essas coisas sutis que um não-japonês não teria”, explica.

“Mas há, cada vez mais, uma perspectiva mais aberta”, acrescenta ela. “Acho que os japoneses têm mais oportunidades de estar com pessoas que não são como eles de uma maneira que não era concebível até 10 anos atrás”.

À medida que a sociedade envelhece e as Olimpíadas se aproximam, cresce a pressão sobre o Japão para descobrir como trazer a mão de obra desesperadamente necessária do exterior.

Aqueles que se mudam para país precisam saber “no que estão se metendo”, ressalva Shrestha. Ele gosta de viver no Japão, mas diz que é um lugar onde “o trabalho duro é adorado e as regras são seguidas”. “É melhor vir com algum conhecimento da cultura japonesa e regras da vida diária”, acrescenta.

Enquanto isso, o governo provavelmente passará grande parte de 2019 lutando para chegar a um consenso sobre a vinda de trabalhadores estrangeiros. Até lá, os problemas continuam.

Fontes principais
BBC News | Nikkei Asian | Mundo Nipo

Japão e Brasil concordam em promover livre comércio

O premiê japonês, Shinzo Abe, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, concordaram em trabalhar juntos para promover o livre comércio e enfrentar questões globais. A promessa foi feita em antecipação à cúpula do G20 em Osaka, no oeste do Japão.

Os dois líderes se encontraram pela primeira vez na quarta-feira em Davos, na Suíça. Abe disse que espera pelo apoio do Brasil para que a cúpula seja bem sucedida. Ele afirmou que “está ansioso para receber o presidente Bolsonaro na cúpula do G20 em Osaka no mês de junho”.

Os líderes concordaram em trabalhar juntos para utilizar inovações tecnológicas em prol do crescimento e enfrentar desigualdades econômicas, entre outros problemas. Eles também prometeram combater a poluição do oceano causada por detritos plásticos.

Bolsonaro disse que a cooperação com o Japão será instrumental para desenvolver ainda mais a economia brasileira.

Fonte: NHK

Mais de 30 milhões de estrangeiros visitaram o Japão em 2018

O número de estrangeiros que visitaram o Japão em 2018 ultrapassou a marca dos 30 milhões pela primeira vez desde que estatísticas nesse sentido se tornaram disponíveis em 1950.

Segundo o Ministério da Justiça, o número é de aproximadamente 30.102.000 pessoas, ou alta de 2,67 milhões em relação ao ano anterior.

O número é cerca do dobro registrado em 2014 e por volta de dez vezes maior que o de 1989, quando a era Heisei teve início.

Por nacionalidade, o maior grupo de visitantes era proveniente da Coreia do Sul, com mais de 7,32 milhões de pessoas; seguido da China, com cerca de 5,95 milhões de pessoas; e de Taiwan, com 4,4 milhões de pessoas. Esses números não incluem aqueles que possuem permissão de reentrada.

Fonte: NHK

Toyota vai disponibilizar tecnologia de segurança para carros sem motorista em 2020

O sistema também será oferecido a outras montadoras, disse a empresa

Crédito: Reuters
Las Vegas – A tecnologia da Toyota para segurança de veículos autônomos chamada “Guardian” estará disponível “por volta de 2020”, disse Gill Pratt, presidente-executivo do instituto de pesquisa do grupo automotivo japonês.
O sistema é mais limitado que a tecnologia de direção autônoma completa da Toyota chamada de “Chauffeur”, mas “o carro poderá se autodirigir se necessário”, disse Pratt a jornalistas durante a conferência de tecnologia de consumo CES, em Las Vegas.
A tecnologia será oferecida a outras montadoras, disse o executivo.
A Toyota tem buscado uma estratégia dupla para o desenvolvimento de veículos que não precisam de motorista.
Ryan Eustice, vice-presidente do Toyota Research Institute, chamou a tecnologia Guardian de “super assistente avançado de direção”.
Foto: Reuters
Fonte: Alternativa Online

Parque em Chiba exibe esculturas de areia de três metros de altura

Esculturas do artista Toshihiko Hosaka levam mais de 120 toneladas de areia

Crédito: Ana Laura Kawabe/Alternativa – 20/01/2019
Tateyama – Duas belas esculturas de areia, produzidas pelo artista Toshihiko Hosaka, estão em exibição no parque Tateyama Family Park, localizado na cidade de Tateyama, na província de Chiba.
Segundo reportagem da emissora NHK, as esculturas possuem três metros de altura por cinco metros de largura, e cada uma delas leva pelo menos 60 toneladas de areia.
Hosaka chamou as esculturas de “Pegasus” e de “Dragão”. O artista foi contemplado com o 1° lugar em um concurso internacional de arte, realizado em Taiwan em 2017.
Para que as obras permaneçam intactas ao ar livre, mesmo sob influência do vento e da chuva, foram utilizadas misturas de produtos químicos para fixar as formas e garantir resistência.
INFORMAÇÕES
Parque Tateyama Family Park
Endereço: 〒294-0221 Chiba-ken Tateyama-shi Menuma 1210
Horário: das 8h30 às 17h
Entrada: ¥550 para adultos e ¥350 para crianças
Mais informações: clique aqui (em japonês)
Foto: Reprodução/NHK
Gigantescas esculturas de areia decoram paisagem em parque de Chiba
Fonte: Alternativa Online